Neste dia 17, na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal cancelou a obrigatoriedade do diploma em jornalismo para o exercício da profissão, com 8 votos favoráveis e 1 contra, admitindo assim a obrigatoriedade do diploma como contrária a Constituição federal no que diz ao direito de opinião.Obviamente a decisão não foi bem recebida por todos, e especificamente os jovens que hoje cursam a graduação de Comunicação Social em Jornalismo são os que menos receberam esta novidade com simpatia. A valorização pela formação específica me fez lembrar de Simão Bacamarte, personagem de Machado de Assis, que no exercício de sua profissão considerava que não devia satisfação alguma aos leigos, devia todo aquele que não possuindo a sua formação acatar sem questionamentos de sua ciência. Um conhecimento que instituído ganha caráter de verdade, ganhando jurisdição como verdade é difícil fazer questionar, tal como não questionamos certos valores - se é certo ser virgem, se é certo valorizar a vida, se crianças são inocentes, etc. Alguns anos dizia-se muito de controle de natalidade, hoje sem estranheza se ouve "- Quero ter sim um filho, mas quero primeiro estabilizar minha vida!", aparentemente uma coisa nada tem com a outra, mas quem garante? O que sabemos é existir o desejo de ao menos controlar quando se dará a natalidade.
A formação em Jornalismo pela universidade tem o seu valor, mas é exagero dizer que tem seu valor para a sociedade, tal como seria dizer que a formação universitária em Cinema, que é também uma as especializações em Comunicação Social, é necessária para servir ao bom entretenimento do público. Quando um conhecimento é da jurisdição de uma classe, esta classe assume regulação não apenas das normas de serviço a sociedade, diz ainda o que se deve manter ao conhecimento daqueles que se diz servir, exemplo tal como o já citado personagem de "O Alienista".
A ética é um valor que muitos vão considerar imprescindível para o exercício de uma profissão, novamente um valor moral, exemplo como o acidente que provocou a morte da Princesa Diana provocou indignação a respeito da falta de limites da imprensa, no Brasil existem outros problemas menos sensíveis e, mesmo que sendo muito sensíveis, não servindo ainda assim como motivo de uma formação universitária ensinar a ser ético na manifestação de opinião. Se alguém diz "- Fulano de tal é um ladrão safado e desprezível" é diferente da mesma pessoa dizer "O que soube a respeito dele é que dizem ser um ladrão safado e desprezível!", no entanto, o porquê de noticiar a respeito de fulano nada tem necessariamente com manter o público bem informado, mesmo porque existe uma interação entre a notícia e seu leitor (o leitor tem algum interesse em um assunto de leitura, ele quer encontrar algo de uma fruição naquilo que lê), e sim de a visibilidade pública produzir em si mesma a característica de pública, que afastada de uma opinião privada, fazendo assim efeito de comunicação.
Até então a graduação em Jornalismo, no Brasil, era no sentido de dar uma formação e, principalmente para aqueles que jovens pretendentes a profissão, ela não poderá mais servir como garantia, mas permanece como possibilidade uma ferramenta e apreensão de sua instrumentação, e considerando que uma ferramenta nada garante se for usada por alguém sem intimidade em instrumentá-la, existem vantagens em ter uma formação específica em universidade.





